Conclusão principal
Estudos aleatorizados sobre cirurgia das pálpebras analisam a dor da injeção, as equimoses e o edema inicial. Os resultados ajudam a perceber o que foi medido — e o que não permitem prever sobre a recuperação de cada pessoa.
A anestesia local é frequentemente utilizada na blefaroplastia da pálpebra superior, por vezes com sedação; algumas operações são realizadas sob anestesia geral. A escolha depende do procedimento planeado, da pessoa e da equipa responsável. A investigação sobre métodos de anestesia local mede sobretudo a própria injeção, as equimoses ou o edema inicial. Estes resultados não indicam quanto tempo uma pessoa demora a regressar ao trabalho ou a viajar, nem quando pode avaliar o aspeto final.
Esta revisão compara as questões estudadas em pequenos ensaios aleatorizados: se a alcalinização de uma solução ou a alteração da ordem das injeções afeta o desconforto; se um instrumento rombo altera as equimoses no local de injeção; e se a formulação do anestésico altera o edema inicial. Não é uma comparação entre anestesia local e geral e não permite dizer a uma pessoa qual é a abordagem adequada.
A que pode — e não pode — responder a evidência sobre anestesia local
A blefaroplastia superior remove ou remodela tecidos da pálpebra superior. Injeta-se anestésico local em torno da zona operatória para a adormecer. A pessoa pode permanecer acordada ou receber também sedação; esta não é o mesmo que anestesia geral. Os anestésicos locais bloqueiam temporariamente os sinais nervosos que transmitem a dor. A alcalinização aumenta o pH de uma solução; farmacologicamente, pode aumentar a fração capaz de atravessar a membrana da célula nervosa. A epinefrina (adrenalina) contrai os vasos sanguíneos locais e pode abrandar a absorção do anestésico. Os ensaios testam estes efeitos propostos em misturas específicas; as formulações também diferem noutros aspetos. São justificações farmacológicas, não uma garantia de que determinada mistura melhore a recuperação; os doentes não devem misturar nem escolher os agentes por si próprios.[9] Os estudos abaixo analisam a técnica enquanto a cirurgia já decorre sob anestesia local. Nenhum distribuiu aleatoriamente doentes entre anestesia local e geral, nem demonstra que uma delas seja globalmente mais segura.
Os desfechos são restritos. As classificações da dor durante a injeção descrevem uma experiência breve numa escala específica; fotografias classificadas quanto a equimoses mostram alterações visíveis iniciais; as pontuações do cirurgião relativas a hemorragia ou edema não equivalem à recuperação relatada pelo doente nem a uma medida padronizada da cicatrização. Uma pontuação inferior numa destas medidas não deve ser interpretada como promessa de recuperação mais rápida.
Desenho dos estudos e o que foi medido
Vários estudos utilizaram um desenho de olhos emparelhados: cada participante recebeu um método numa pálpebra e o comparador na outra. Isto pode controlar diferenças entre doentes, mas as pálpebras da mesma pessoa não são observações independentes. A sequência das injeções, o lado, o mascaramento do observador e o momento da avaliação são importantes para interpretar os resultados.
Narváez e colaboradores estudaram 39 pessoas submetidas a blefaroplastia superior juntamente com avanço do músculo levantador para corrigir ptose, comparando lidocaína a 1% tamponada e não tamponada com epinefrina. A dor da injeção foi classificada numa escala visual analógica (EVA); também foram avaliados hemorragia, edema e dor pós-operatórios. A pontuação média da dor da injeção foi 4,01 (DP 2,45) com solução tamponada e 4,49 (DP 2,58) com solução não tamponada, uma diferença que não atingiu o limiar estatístico habitual (p=0,06). O resumo não indica diferenças significativas na hemorragia, edema ou dor pós-operatórios, mas não fornece essas estimativas numéricas nem intervalos de confiança. Esta população submetida a uma operação combinada não é idêntica à de pessoas submetidas apenas a cirurgia estética da pálpebra superior.[1]
No ensaio prospetivo de Ohana e colaboradores, com 40 doentes, num grupo o anestésico foi injetado numa pálpebra e a cirurgia desse lado foi realizada antes de injetar a outra pálpebra; no outro grupo, as duas pálpebras foram injetadas antes de iniciar a cirurgia. A dor foi classificada numa EVA de 0–10. No grupo sequencial, as pontuações médias foram 2,60 (DP 1,84) para a pálpebra direita e 3,30 (DP 1,62) para a esquerda (p intragrupo=0,035). No grupo em que as injeções precederam a cirurgia em ambos os lados, foram 2,55 (DP 1,63) e 2,80 (DP 1,67; p=0,258). Não houve diferença entre os grupos. Isto sugere um possível efeito da sequência da segunda injeção no primeiro grupo, não demonstra que uma sequência reduza o desconforto global para todas as pessoas. O resumo não apresenta intervalos de confiança nem uma diferença mínima importante.[2]
Alcalinização e sequência de injeção: a dor é um desfecho breve
Vasović e colaboradores distribuíram aleatoriamente 288 doentes por nove grupos de formulações, num desenho de face dividida. As formulações incluíam lidocaína, bupivacaína ou articaína, com ou sem epinefrina e/ou bicarbonato de sódio. Após a primeira injeção palpebral e cinco minutos de pressão ligeira, os doentes classificaram a dor através da escala de faces de Wong–Baker; as classificações foram repetidas aos 15 e 30 minutos. O resumo refere que a lidocaína tamponada sem epinefrina teve a classificação inicial mais baixa face a todos os outros grupos (p<0,05); aos 30 minutos, três combinações tamponadas tiveram pontuações inferiores às da lidocaína com epinefrina (p<0,05). Não são fornecidas pontuações absolutas por grupo, dimensões do efeito nem intervalos de confiança, pelo que não é possível avaliar a dimensão prática destas diferenças a partir do resumo acessível. Estes resultados dizem respeito a classificações da dor durante 30 minutos — não ao edema pós-operatório, à segurança do anestésico ou ao regresso à atividade habitual.[3]
Nestes estudos, as pontuações EVA e Wong–Baker são avaliações dos próprios doentes, não medições objetivas. Uma diferença pode ser estatisticamente detetável e, ainda assim, ser modesta para cada pessoa; sem um limiar de importância clínica declarado ou uma estimativa intervalar, não se deve presumir que será percetível ou significativa para todos.
Escolha da agulha e equimoses iniciais
Yu e colaboradores, num contexto médico académico, distribuíram aleatoriamente 44 mulheres submetidas a blefaroplastia bilateral da pálpebra superior para receber um instrumento rombo de injeção numa pálpebra e uma agulha afiada de calibre 27 na outra; em ambos os lados foi utilizada lidocaína a 2%. Dois observadores sem conhecimento da atribuição analisaram fotografias obtidas após a injeção e a incisão cutânea para identificar equimose ou hematoma. Foi registada equimose ou hematoma no local da agulha afiada em 11 de 44 participantes (25%) e em nenhum dos locais com instrumento rombo (p<0,001). A EVA média da injeção foi 5,48 com a agulha afiada e 4,64 com o instrumento rombo (p=0,002). A unidade da comparação de eventos são participantes/locais, não 88 pessoas independentes. O resumo não apresenta intervalo de confiança. Está indexada uma errata com o título «Incorrect Affiliation»; a nota não identifica qualquer correção dos resultados.[4]
Este resultado deve ser considerado em conjunto com o ensaio aleatorizado de Garcia e colaboradores, com observadores mascarados, que incluiu 68 doentes (136 pálpebras) e comparou uma microcânula romba de calibre 18 num lado com uma agulha afiada de calibre 26 no outro. A dor média da injeção foi 2,50 com a cânula e 2,85 com a agulha, sem diferença estatisticamente significativa. Três observadores mascarados classificaram fotografias ao longo de cinco períodos; não houve diferenças significativas entre os lados nas equimoses e sufusões. O resumo não indica os momentos exatos do seguimento, contagens de eventos nem intervalos de confiança. Como os instrumentos e métodos diferem, os estudos não se anulam simplesmente; em conjunto, mostram que um resultado de um protocolo pequeno não garante o mesmo resultado de equimoses com outro protocolo.[5]
Formulação do anestésico e edema inicial
Ensat e colaboradores compararam prilocaína a 1% com epinefrina e ropivacaína com epinefrina num estudo mascarado em dupla ocultação, de face dividida, com 31 pessoas submetidas a blefaroplastia superior. Um cirurgião classificou a tendência hemorrágica intraoperatória e o edema pós-operatório em escalas de cinco pontos. As pontuações médias da tendência hemorrágica foram 3,39 com prilocaína e 1,71 com ropivacaína (p<0,0001); os autores também relatam significativamente menos edema ligeiro no lado da ropivacaína em todos os momentos avaliados. O resumo acessível não especifica as pontuações do edema, o calendário das medições nem intervalos de confiança. Refere que as classificações foram recolhidas por um dos cirurgiões operatórios, o que pode influenciar a avaliação. Uma escala clínica de cinco pontos não é uma estimativa validada do tempo até à cicatrização completa ou ao regresso ao trabalho.[8]
Fármacos e concentrações diferentes têm propriedades e adequação diferentes. Estes ensaios não apoiam que os doentes escolham ou misturem anestésicos por si próprios. O cirurgião e a equipa de anestesia têm de considerar alergias, problemas de saúde, medicamentos, a operação e as condições de monitorização.
Recuperação, segurança e perguntas a fazer
As orientações hospitalares descrevem a anestesia local como uma forma comum de realizar cirurgia das pálpebras, embora refiram que, por vezes, pode ser usada sedação ou anestesia geral. Explicam também que a injeção pode causar ardor breve, o desconforto pode persistir durante 24–48 horas, os pontos podem ser retirados ao fim de 7–14 dias e a visão pode ficar turva durante alguns dias. São instruções para doentes específicas daquele serviço, não prazos derivados de ensaios nem garantias para todas as pessoas.[6] Essa página distingue a visão turva durante alguns dias do agravamento da visão, que considera motivo para avaliação imediata; dor ocular crescente, vermelhidão ou corrimento excessivo também são indicados como sinais de alerta urgentes. Siga as instruções da equipa operatória e procure avaliação urgente por oftalmologia ou num serviço de urgência perante estas alterações. Este contexto é distinto de sintomas esperados e breves; este artigo não faz diagnósticos. As orientações do NHS também salientam a importância de discutir a recuperação e os riscos com a equipa responsável.[7] [6]
Antes de dar o consentimento, pergunte exatamente o que está planeado (cirurgia das pálpebras superiores, inferiores ou combinada; apenas pele ou outro trabalho adicional), se a anestesia local será usada isoladamente ou com sedação, como serão controlados o desconforto e a ansiedade, quem fará a monitorização, que seguimento está disponível e que sintomas justificam contacto urgente. Peça instruções escritas sobre cuidados oculares, medicamentos, condução, trabalho, exercício e viagens. Não use a pontuação de dor ou as equimoses de outra pessoa para prever a sua recuperação.
Para planear na prática, compare o custo da blefaroplastia na Turquia e confirme diretamente o que está e não está incluído em qualquer pacote de blefaroplastia com o doente acordado. A descrição de um pacote não prova que inclua um protocolo anestésico específico, determinado profissional, seguimento ou resultado de recuperação. A Just Clinic Istanbul é uma plataforma independente de marketing e geração de contactos, não é prestadora de cuidados de saúde nem intermediária de turismo médico; os pedidos de informação só podem ser partilhados com parceiros de saúde autorizados mediante consentimento.
Limites da evidência e acesso às fontes
A maioria dos estudos aqui apresentados é constituída por ensaios de técnica pequenos, de um único centro e de curta duração, com pálpebras emparelhadas e desfechos como dor da injeção ou equimoses visíveis. As diferentes escalas, instrumentos e calendários impedem uma estimativa agrupada. Os resumos acessíveis omitem frequentemente intervalos de confiança e pormenores do seguimento; quando um valor ou uma declaração não estava disponível no resumo, é identificado como não disponível, em vez de se presumir que não existe. Estes artigos não comparam tipos de anestesia, não estabelecem a segurança relativamente a eventos raros, não preveem a recuperação completa de uma pessoa nem indicam uma data fiável para estabilização da aparência.
Os estudos clínicos não são permutáveis: Narváez incluiu correção de ptose, Vasović testou nove formulações, Yu contabilizou equimoses no local da injeção em mulheres, Garcia comparou outro par de cânula e agulha, e Ensat utilizou medidas de cinco pontos classificadas pelo cirurgião. Pergunte ao profissional responsável como se aplica o protocolo da sua equipa à operação prevista e que evidência ou auditoria o sustenta. As ligações das citações conduzem a registos PubMed ou às orientações do NHS citadas; os dados bibliográficos são apresentados abaixo.
Referências
- Julio Narváez, Izak Wessels, Gregory Bacon, Vernon R Chin, Waheed K Baqai, Grenith J Zimmerman. Prospective randomized evaluation of short-term complications when using buffered or unbuffered lidocaine 1% with epinephrine for blepharoplasty surgery. Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery. jan.–fev. 2010; 26(1):33–35. doi: 10.1097/IOP.0b013e3181b80c13. PMID: 20090482. Fonte
- Oded Ohana, Juan Ayala-Haedo, Apostolos Anagnostopolous, Wendy W Lee. Local Anesthesia Injection in Upper Blepharoplasty Surgery: A Side at a Time or Both Sides at Once? A Prospective Randomized Study. Dermatologic Surgery. fev. 2021; 47(2):241–244. doi: 10.1097/DSS.0000000000002718. PMID: 33481452. Fonte
- Dolika D Vasović, Miodrag Karamarković, Milan Stojičić, Milan Jovanović, Katarina Savić Vujović, Dejan Rašić, Milan Colić, Nikola Musić. Buffered Versus Nonbuffered Local Anesthetics and Local Pain Scores in Upper Eyelid Blepharoplasty: Randomized Controlled Trial. Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery. nov.–dez. 2023; 39(6):602–605. doi: 10.1097/IOP.0000000000002442. Publicado em linha em 20 jun. 2023. PMID: 37338328. Fonte
- Wenxin Yu, Yunbo Jin, Jingyan Yang, Gang Ma, Yajing Qiu, Hui Chen, Xi Yang, Lei Chang, Xiaoxi Lin. Occurrence of Bruise, Hematoma, and Pain in Upper Blepharoplasty Using Blunt-Needle vs Sharp-Needle Anesthetic Injection in Upper Blepharoplasty: A Randomized Clinical Trial. JAMA Facial Plastic Surgery. mar. 2017; 19(2):128–132. doi: 10.1001/jamafacial.2016.1376. PMID: 27893019. Fonte
- C P Garcia, D F V Avila, V R de A Ferreira, F C da Silva, M M de S Fortkamp, R S Gomes, J B Ely. Anesthesia using microcannula and sharp needle in upper blepharoplasty: A randomized, double-blind clinical trial evaluating pain, bruising, and ecchymoses. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. fev. 2021; 74(2):364–369. doi: 10.1016/j.bjps.2020.08.015. Publicado em linha em 13 ago. 2020. PMID: 32888861. Fonte
- Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust. Blepharoplasty: During and after your surgery. Página de informação hospitalar para doentes. Recurso 4441/VER3; última revisão em dezembro de 2023. Fonte
- National Health Service (NHS). Eyelid surgery. Informação do NHS para doentes sobre procedimentos cosméticos. Última revisão em 15 set. 2023; última revisão em 15 set. 2023. Fonte
- Florian Ensat, Klemens Heinrich, Hassan Mahmoud Kholosy, Julia Wimbauer, Michaela Hladik, Gottfried Wechselberger. A double-blind randomized prospective study comparing prilocaine versus ropivacaine in upper blepharoplasty. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. mar. 2017; 70(3):375–379. Publicado em linha em 19 nov. 2016. doi: 10.1016/j.bjps.2016.10.014. PMID: 28017546. Fonte
- A Taylor, G McLeod. Basic pharmacology of local anaesthetics. BJA Education. fev. 2020;20(2):34–41. Publicado em linha em 4 dez. 2019. doi: 10.1016/j.bjae.2019.10.002. PMID: 33456928. Texto integral