Síntese de evidência científica · Investigação em cirurgia mamária

Com que frequência ocorre hematoma após aumento mamário e o que significam os números?

As taxas publicadas de hematoma variam porque os estudos contabilizam intervenções e resultados diferentes. Esta revisão distingue o hematoma diagnosticado das estimativas de perda de sangue durante a operação, dos volumes de drenagem e dos casos que exigem nova intervenção cirúrgica.

Redigido por Equipa Just Clinic Istanbul Publicado em 13 set 2026 11 min de leitura

Conclusão principal

As taxas publicadas de hematoma variam porque os estudos contabilizam intervenções e resultados diferentes. Esta revisão distingue o hematoma diagnosticado das estimativas de perda de sangue durante a operação, dos volumes de drenagem e dos casos que exigem nova intervenção cirúrgica.

Controlar a hemorragia faz parte de qualquer operação, mas um hematoma pós-operatório é um resultado diferente de uma pequena quantidade de sangue estimada durante a cirurgia ou do líquido recolhido por um dreno. Um hematoma é uma acumulação de sangue na bolsa operatória ou à sua volta, diagnosticada clinicamente ou por imagiologia; algumas acumulações são vigiadas e outras exigem tratamento urgente ou nova operação. As taxas da investigação dependem do que cada estudo contabilizou, do tempo de seguimento e dos procedimentos incluídos. A criação da bolsa para o implante implica separar planos de tecido, podendo expor pequenos vasos sanguíneos; a hemostase consiste em identificar e selar fontes de hemorragia ativa durante a operação. É diferente de um dreno, que recolhe líquido posteriormente e, por si só, não demonstra se a hemorragia parou ou se existe um hematoma. A eletrocauterização utiliza energia elétrica para aquecer os tecidos, enquanto os instrumentos ultrassónicos usam vibração para cortar e coagular; são métodos de dissecção e hemostase, não provas de que um determinado dispositivo previna um hematoma posterior. A justificação para uma hemostase cuidadosa é clinicamente plausível, mas resultados observacionais comparativos não demonstram que um instrumento ou uma técnica eliminem o risco. [4] [9]

Uma revisão da evidência de 2021 incluiu 28 estudos sobre procedimentos mamários não oncológicos e comunicou taxas de hematoma entre 0,2% e 5,7% para aumento mamário. Trata-se de um intervalo entre estudos heterogéneos, não de uma estimativa agrupada única nem de uma previsão pessoal. A revisão considerou inconclusiva a evidência sobre a relação com a escolha da bolsa e a localização da incisão, e insuficiente a evidência para vários outros fatores de risco propostos. Também analisou aumento mamário com mastopexia e redução mamária, cujas taxas não devem substituir estimativas apenas de aumento. [1]

Uma coorte retrospetiva de uma clínica privada analisou 1 128 mulheres submetidas a aumento mamário primário entre 2012 e 2019 sem irrigação da bolsa. Os autores registaram hematoma pós-operatório em 30 pessoas (2,7%). O tempo mediano até ao diagnóstico foi de 14 horas, com intervalo interquartil de 5 horas a 9 dias. Seis pessoas (0,5%) desenvolveram infeção profunda do local cirúrgico, um resultado separado, não uma contagem adicional de hematomas. Idade, índice de massa corporal, volume do implante e sua posição não apresentaram associação estatisticamente significativa com hematoma nesta coorte. Os resultados apoiam o planeamento do seguimento no período pós-operatório inicial, mas os registos retrospetivos de uma clínica não definem uma taxa aplicável a todos os contextos. [2]

Uma análise retrospetiva mais pequena, de 132 intervenções bilaterais primárias, incluindo aumento mamário com mastopexia, identificou nove casos de hemorragia pós-operatória (6,8%). A estimativa é superior ao intervalo da revisão, mas o estudo incluiu procedimentos mistos, uma amostra pequena e um contexto e definição diferentes. Alguns fatores mostraram associação na análise univariável, mas nenhum permaneceu como fator de risco independente na análise multivariável. Estes resultados não demonstram que fluidos administrados, tipo de anestesia ou pressão arterial tenham causado a hemorragia. [5]

Duas revisões chegaram a conclusões aparentemente diferentes ao utilizarem conjuntos de evidência distintos. Uma revisão sistemática de 2024 incluiu dez estudos comparativos entre colocação subfascial e subglandular; quatro contribuíram para a comparação de hematoma. Comunicou uma diferença estatisticamente significativa a favor do plano subfascial, mas classificou todos os estudos incluídos como tendo alto risco de viés. O resumo não apresenta as contagens de eventos nem a dimensão do efeito, pelo que não são inferidas aqui. [3]

Uma revisão sistemática e meta-análise de 2026 analisou apenas aumento mamário primário, excluindo cirurgia de revisão, aumento com mastopexia e reconstrução. Incluiu 91 estudos e 51 524 pessoas no total, mas os denominadores disponíveis para hematoma diferiam por plano: subglandular, 1 624; subfascial, 3 506; submuscular, 9 601; e plano duplo, 8 053. As proporções agrupadas de hematoma foram, respetivamente, 1,2% (IC 95% 0,7–2,4), 1,0% (0,59–1,67), 0,8% (0,6–1,18) e 0,9% (0,75–1,15). São proporções agrupadas em separado a partir de estudos diferentes, não braços de um único ensaio aleatorizado. Na comparação direta subfascial versus subglandular, o risco relativo foi 0,21 (IC 95% 0,02–2,31; P=0,20), sem diferença estatisticamente fiável. O amplo intervalo de confiança é compatível com benefício substancial, pouca diferença ou dano. Os autores salientam que a base de evidência é sobretudo observacional e heterogénea. [4]

As duas revisões não são intercambiáveis: uma centrou-se numa comparação mais restrita entre planos e incluiu estudos com alto risco de viés; a revisão mais recente reuniu mais evidência sobre aumento primário, mas também não encontrou uma redução direta estatisticamente fiável para o plano subfascial face ao subglandular. Nenhuma estabelece um plano universalmente mais seguro. A anatomia, a cobertura dos tecidos e a operação prevista são relevantes para as decisões clínicas; as percentagens agrupadas não devem ser usadas para escolher uma técnica para uma pessoa.

A estimativa da perda de sangue durante a operação é registada nesse período; não é um diagnóstico posterior de hematoma na bolsa. O débito do dreno é o volume recolhido após a cirurgia e pode conter sangue misturado com líquido dos tecidos. Um volume total maior no dreno não significa, por si só, que tenha ocorrido um hematoma clinicamente significativo, e um débito reduzido não o exclui.

Um estudo retrospetivo comparou aumento endoscópico transaxilar com eletrocauterização convencional em 81 pessoas e dissecção com bisturi ultrassónico em 92, todas operadas pelo mesmo cirurgião sénior e equipa. O artigo apresenta uma perda de sangue estimada de 21,59 ± 6,44 ml com eletrocauterização e 18,67 ± 6,20 ml com bisturi ultrassónico. O volume total médio de drenagem foi muito superior: 232,37 ± 99,15 ml e 122,24 ± 43,81 ml, respetivamente. A duração média da drenagem foi de 3,77 ± 1,10 dias contra 2,52 ± 0,54 dias. O resumo acessível não identifica o significado dos valores ±; por isso, são reproduzidos sem os designar como desvios-padrão. O estudo foi retrospetivo, específico de uma técnica transaxilar e comparou grupos de instrumentos que podem diferir noutros aspetos; não prova que um dispositivo previna hematomas em geral. O contraste entre mililitros de perda de sangue estimada e volume total drenado ilustra por que motivo não se devem tratar estes valores como o mesmo resultado. Embora os registos abrangessem intervenções de janeiro de 2018 a dezembro de 2020 e as pontuações de dor fossem recolhidas durante três dias após a cirurgia, o resumo acessível não especifica o período de seguimento usado para identificar hematoma ou outras complicações. [6]

Uma meta-análise de 2026 sobre aumento mamário primário concluiu também que a utilização de drenos variava entre os estudos incluídos. A prática de drenagem, o intervalo de recolha, a composição do líquido e os limiares de remoção não são uniformes; por isso, os volumes do dreno não podem ser comparados como se fossem uma medida comum de perda de sangue ou da taxa clínica de hematoma. [4]

Após a cirurgia, os hematomas e o inchaço esperados podem sobrepor-se a sinais iniciais de hemorragia. Pode suspeitar-se de um hematoma em formação perante inchaço invulgar ou que aumenta rapidamente, uma mama que fica mais tensa ou dolorosa, assimetria acentuada de aparecimento recente ou alteração da cor da pele. Os sintomas, por si só, não confirmam a causa; a equipa clínica poderá ter de observar a mama e decidir se é necessária imagiologia ou tratamento.

Inchaço súbito ou em agravamento, dor inesperada ou alteração da cor após cirurgia de aumento mamário justificam contacto rápido com a clínica responsável, conforme aconselha a orientação do NHS. [8] Hemorragia intensa na ferida, inchaço que progride rapidamente, sensação de desmaio, fraqueza intensa, dor torácica ou dificuldade em respirar exigem avaliação médica urgente; perante sintomas graves, recorra aos serviços de emergência locais. Não espere pela consulta de rotina se os sintomas estiverem a agravar-se. Orientações do NHS sobre aumento mamário.

Hematoma e regresso ao bloco operatório também não são sinónimos. Um estudo pode contar qualquer coleção diagnosticada, embora apenas uma parte exija evacuação ou outra operação. A coorte de 1 128 pessoas registou 30 hematomas, mas o resumo não indica quantos foram evacuados; por isso, esta revisão não converte essa contagem numa taxa de reoperação. A investigação sobre reconstrução também deve ser analisada separadamente: um relato de caso de hemorragia capsular tardia, sete anos após reconstrução pós-mastectomia, descreve uma população diferente e não estima o risco inicial após aumento mamário. [2] [7]

Aumento mamário, imagem 13359 — Just Clinic Istanbul Mastopexia com implantes, imagem 13373 — Just Clinic Istanbul

Antes da cirurgia, pergunte o que a equipa entende por «hemorragia» ou «hematoma» nos valores apresentados: qualquer coleção diagnosticada, uma coleção que exige drenagem ou um regresso ao bloco operatório? Pergunte qual é o período de observação e a população por trás da taxa citada, incluindo se diz respeito apenas ao aumento primário ou combina este procedimento com mastopexia ou reconstrução. Considere o preço do aumento mamário na Turquia em conjunto com o âmbito dos cuidados clínicos e do seguimento incluídos no orçamento.

Confirme quem pode avaliar um sintoma novo após a alta, como contactar essa pessoa fora do horário habitual, quando estão previstas as consultas e como se articula o acompanhamento se a pessoa estiver em viagem. Ao comparar um pacote de aumento mamário, pergunte se especifica consulta pós-operatória, avaliação urgente e medidas perante complicações, em vez de presumir que esses serviços estão incluídos pelo nome do pacote. A Just Clinic Istanbul é uma plataforma independente de marketing e geração de contactos; não presta cuidados de saúde nem atua como intermediária de turismo médico. Os pedidos de contacto podem ser partilhados com parceiros de saúde autorizados mediante consentimento.

  • Como define e regista a equipa um hematoma e quantas pessoas do denominador apresentado tiveram um?
  • Os valores dizem respeito apenas a aumento mamário primário ou incluem mastopexia, revisões ou reconstrução?
  • Que sinais de alerta devem motivar contacto imediato e que número está disponível fora do horário habitual?
  • Quem avaliará os sintomas após a alta e que seguimento está planeado para o primeiro dia e posteriormente?
  • Se houver suspeita de hematoma, que avaliação e opções de tratamento poderão ser consideradas?
  • Que seguimento clínico e medidas de acesso a cuidados urgentes estão incluídos no plano ou pacote proposto?

  1. Daar DA, Bekisz JM, Chiodo MV, DeMitchell-Rodriguez EM, Saadeh PB. “Hematoma After Non-Oncologic Breast Procedures: A Comprehensive Review of the Evidence.” Aesthetic Plastic Surgery. 2021; 45(6):2602–2617 (número de dezembro de 2021); publicado em linha a 16 de abril de 2021. DOI: 10.1007/s00266-021-02276-6; PMID: 33864116.
  2. Hemmingsen MN, Larsen A, Ørholt M, Rasmussen LE, Weltz TK, Andersen PS, Sarmady F, Elberg JJ, Vester-Glowinski PV, Herly M. “Hematoma and deep surgical site infection following primary breast augmentation: A retrospective review of 1128 patients.” Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2022; 75(3):1197–1203 (número de março de 2022); publicado em linha a 27 de novembro de 2021. DOI: 10.1016/j.bjps.2021.11.067; PMID: 34924323.
  3. Yuan M, Kim P, Gallo L, Austin RE, Lista F, Ahmad J. “Outcomes in Subfascial Versus Subglandular Planes in Breast Augmentation: A Systematic Review and Meta-analysis.” Aesthetic Surgery Journal. 2024; 44(9):NP639–NP644 (número de setembro de 2024); publicado em linha a 3 de junho de 2024. DOI: 10.1093/asj/sjae118; PMID: 38825810.
  4. Alderhali R, Jamel WA, Dehnadi S, Seth I, Khajuria A. “Implant Pocket Plane Selection in Primary Breast Augmentation: A Meta-Analysis and Systematic Review of Complication Profiles.” Aesthetic Plastic Surgery. 2026; 50(11):3979–3987 (número de junho de 2026); publicado em linha a 26 de fevereiro de 2026. DOI: 10.1007/s00266-026-05706-5; PMID: 41748776; texto integral: PMC13315495.
  5. Richard P, Huesler R, Banic A, Erni D, Plock JA. “Perioperative risk factors for haematoma after breast augmentation.” Journal of Plastic Surgery and Hand Surgery. 2013; 47(2):130–134 (número de abril de 2013); publicado em linha a 13 de fevereiro de 2013. DOI: 10.3109/2000656X.2012.740675; PMID: 23402583.
  6. Xie Z, Yan K, Qu Y, Gao S, Lu T, Hu C, Wang S, Shangguan W, Wu G. “A Retrospective Study of Transaxillary Endoscopic Breast Augmentation Using Ultrasonic Scalpel or Conventional Electrocautery for Implant Pocket Dissection.” Aesthetic Plastic Surgery. 2024; 48(10):1949–1955 (número de maio de 2024); publicado em linha a 25 de agosto de 2023. DOI: 10.1007/s00266-023-03569-8; PMID: 37626139.
  7. Seth AK, Kim JYS. “Acute symptomatic hematoma with defined etiology seven years after breast reconstruction: A case report and literature review.” Canadian Journal of Plastic Surgery. 2010; 18(2):e27–e29 (número de junho de 2010); publicado em linha a 1 de junho de 2010. DOI: 10.1177/229255031001800201; PMID: 21629619; texto integral: PMC2933100.
  8. National Health Service (NHS). “Breast enlargement (implants).” NHS. Última revisão em 21 de setembro de 2023; consultado em 18 de outubro de 2026. https://www.nhs.uk/tests-and-treatments/cosmetic-procedures/cosmetic-surgery/breast-enlargement/. As orientações recomendam contactar a clínica responsável assim que possível perante dor inesperada, inchaço invulgar ou alterações da cor da pele.
  9. Matthews B, Nalysnyk L, Estok R, Fahrbach K, Banel D, Linz H, Landman J. “Ultrasonic and Nonultrasonic Instrumentation: A Systematic Review and Meta-analysis.” Archives of Surgery. 2008; 143(6):592–600. Publicado em linha a 16 de junho de 2008. DOI: 10.1001/archsurg.143.6.592; PMID: 18559754. Texto integral.

Com que frequência ocorre hematoma após aumento mamário? +

Uma revisão de 2021 comunicou taxas entre 0,2% e 5,7% nos estudos. Uma coorte distinta, com 1 128 pessoas submetidas a aumento primário, registou 30 casos (2,7%). As definições e populações diferiam; estes valores não são uma previsão individual.

Mais líquido no dreno significa que existe um hematoma? +

Não. O débito do dreno pode incluir sangue misturado com líquido dos tecidos e é medido de forma diferente da perda de sangue durante a operação ou de um hematoma diagnosticado clinicamente.

Quando deve a pessoa contactar a equipa responsável? +

Inchaço inesperado ou crescente, dor, aperto ou alteração da cor da pele após a cirurgia justificam contacto com a clínica responsável. Sintomas graves ou que se agravam rapidamente exigem avaliação médica urgente.

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