Síntese de evidência científica · Investigação em abdominoplastia

Os drenos ou as suturas de tensão progressiva reduzem o seroma após abdominoplastia?

A investigação que compara drenos e suturas de tensão progressiva sugere possíveis diferenças no risco de seroma após abdominoplastia, mas a diversidade de técnicas, os ensaios pequenos e os métodos distintos de deteção limitam a certeza.

Redigido por Equipa Just Clinic Istanbul Publicado em 13 set 2026 9 min de leitura

Conclusão principal

A investigação que compara drenos e suturas de tensão progressiva sugere possíveis diferenças no risco de seroma após abdominoplastia, mas a diversidade de técnicas, os ensaios pequenos e os métodos distintos de deteção limitam a certeza.

Após uma abdominoplastia, pode acumular-se líquido no espaço entre o retalho abdominal e os tecidos subjacentes. Essa acumulação chama-se seroma. Para gerir esse espaço, os cirurgiões utilizam habitualmente drenos de aspiração fechada, suturas de tensão progressiva (STP) ou ambos. A evidência não estabelece uma abordagem adequada a todas as pessoas: os estudos diferem quanto às operações, às definições de seroma, ao seguimento e à seleção dos participantes.

Esta revisão analisa o que a investigação comparativa indica sobre drenos e STP, como foram medidas as coleções de líquido e o que os resultados permitem — e não permitem — concluir para quem pondera uma abdominoplastia. É informação baseada em investigação, não uma recomendação de tratamento individual.

A abdominoplastia implica elevar e voltar a posicionar um retalho extenso de tecido abdominal. A interrupção de pequenos canais linfáticos e vasculares, o espaço residual por baixo do retalho e o movimento entre superfícies dos tecidos podem contribuir para a acumulação de líquido após a operação. Uma coleção clinicamente relevante pode exigir avaliação ou aspiração e complicar a cicatrização da ferida. Alguns estudos também detetam líquido por ecografia, incluindo coleções sem sintomas; por isso, as «taxas de seroma» comunicadas não são automaticamente comparáveis.

Um dreno de aspiração fechada remove líquido através de um tubo ligado a um reservatório. As STP são colocadas em sequência entre a face inferior do retalho e o tecido mais profundo, aproximando as superfícies, reduzindo o espaço residual e limitando o deslizamento entre tecidos. O mecanismo proposto é mecânico; não significa que seja impossível formar líquido. Os cirurgiões variam no material, número e espaçamento das suturas, utilização de drenos, dissecção, lipoaspiração e cuidados pós-operatórios.

Rao e colaboradores registaram um protocolo (PROSPERO CRD42022346106) e pesquisaram MEDLINE, Embase, CENTRAL, Google Scholar e Web of Science entre 19 de setembro de 2022 e 19 de fevereiro de 2024, sem restrições linguísticas. Dois autores selecionaram os registos e avaliaram os textos integrais elegíveis; quatro extraíram os dados dos estudos de forma independente. Os ensaios aleatorizados foram avaliados com RoB 2 e os estudos observacionais com ROBINS-I. Os resultados elegíveis foram agrupados em modelos de efeitos aleatórios, com riscos relativos (RR) e intervalos de confiança (IC) de 95%. O resumo refere 24 estudos, 750 participantes e dois ensaios aleatorizados controlados. Contudo, a secção «Search and Included Studies» do texto integral refere 24 estudos, 4 777 participantes e três ensaios aleatorizados; indica ainda 2 817 participantes apenas com STP, 1 065 apenas com drenos e 1 346 com tratamento combinado, valores que somam 5 228. Estas contagens do resumo e do texto integral são incompatíveis e não podem ser conciliadas com base no artigo; por isso, não se considera confirmado qualquer total global de participantes ou ensaios aleatorizados. Separadamente, 24 estudos comunicaram um resultado de seroma, enquanto apenas oito estudos comparativos integram o principal gráfico de floresta STP versus drenos. [1]

Para o seroma pós-operatório, a revisão apresentou uma estimativa agrupada favorável às STP em comparação com drenos convencionais: RR 0,34 (IC 95% 0,15–0,76). A publicação apresenta um efeito relativo, não uma probabilidade absoluta para cada pessoa; não significa uma redução de 66 pontos percentuais. O risco basal varia entre pessoas e contextos. A interpretação é limitada por diferenças na seleção dos participantes, métodos operatórios e deteção do seroma, bem como pelo pequeno conjunto de comparações diretas e pelo risco de viés.

A revisão não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre STP e drenos para hematoma, infeção ou abertura da ferida (deiscência). Isso não prova que as abordagens sejam equivalentes. Na comparação entre STP mais drenos e STP isoladas, o artigo não encontrou diferença significativa no seroma (RR 0,70; IC 95% 0,31–1,60). A estimativa é imprecisa e não demonstra que os drenos sejam desnecessários para qualquer pessoa.

As estatísticas do subgrupo com lipoaspiração apresentadas no resumo não são aqui tratadas como uma estimativa estabelecida: o RR de seroma surge acompanhado de um intervalo de confiança excecionalmente amplo e de um valor de significância que não parece compatível com esse intervalo. Esta incoerência interna no relato impede utilizar o subgrupo para afirmar que lipoaspiração com STP é superior.

Andrades e colaboradores realizaram um ensaio prospetivo, aleatorizado e em dupla ocultação com 60 mulheres submetidas a abdominoplastia clássica. As participantes foram distribuídas por quatro grupos: sem drenos nem STP, apenas STP, apenas drenos ou ambos. Nos grupos com drenagem, os drenos permaneceram durante sete dias. Avaliadores sem conhecimento da alocação examinaram as participantes clinicamente e por ecografia às duas semanas; os investigadores também registaram aspirações e respetivos volumes, complicações não relacionadas com seroma e resultados estéticos após o seguimento. O registo PubMed acessível contém apenas o resumo; não foi possível verificar aqui mais pormenores do protocolo nem estimativas numéricas por grupo. [2]

O resumo indica seroma clínico em 35% e seroma detetado por ecografia em 90% no total, sem diferença significativa na frequência entre grupos. São métodos diferentes de deteção, não estimativas contraditórias do mesmo resultado: a ecografia identificou muito mais coleções do que a observação clínica. O grupo de controlo sem qualquer uma das intervenções foi interrompido após dez participantes, devido à observação de seromas maiores e mais aspirações. Este grupo de controlo muito pequeno limita a comparação e pode tornar os resultados instáveis. O estudo concluiu também que as STP aumentaram o tempo operatório em 50 minutos nos grupos relevantes e reduziram o débito do dreno quando foram acrescentadas à drenagem. Os autores propuseram que as STP podem compartimentar as coleções de líquido e facilitar a sua absorção; trata-se de uma explicação proposta, não de uma garantia.

Abdominoplastia, imagem 13415 — Just Clinic Istanbul Miniabdominoplastia, imagem 13429 — Just Clinic Istanbul

A revisão sistemática de Li e Wang, publicada em 2021, incluiu cinco estudos — um ensaio aleatorizado e quatro estudos retrospetivos —, num total de 1 255 adultos. Pesquisou PubMed, Embase e Cochrane e utilizou um modelo de efeitos aleatórios de Mantel–Haenszel. A comparação entre STP sem drenos e apenas drenos associou-se a menores odds de seroma (OR 0,36; IC 95% 0,19–0,70; P=0,002; I²=9%). No subgrupo que combinou lipoaspiração, a estimativa foi OR 0,24 (IC 95% 0,11–0,49; P=0,0001). Contudo, não se encontrou diferença significativa entre STP isoladas e STP com drenos (OR 1,03; IC 95% 0,30–3,54; P=0,96). Os autores defenderam ensaios maiores e com melhor comparabilidade. Estas odds ratios provêm de um conjunto de evidência anterior e mais pequeno; não devem ser combinadas numericamente com os riscos relativos da revisão posterior. As revisões podem também reutilizar alguns estudos primários. [3]

A revisão de 2024 de Liao e colaboradores colocou uma questão mais ampla sobre métodos de prevenção do seroma. Os seus 20 estudos incluíram 1 205 participantes no total, com seguimentos entre duas semanas e 20 meses; uma análise agrupada separada incluiu 203 participantes únicos. Para STP e suturas de quilting em conjunto, calculou-se um rácio de ocorrência de eventos de 0,306 entre comparações específicas dos estudos, com benefício qualitativo em quatro de cinco estudos. Esse rácio não corresponde à meta-análise direta: três estudos agrupados na comparação de STP/suturas de quilting com drenos produziram RR 0,29 (IC 95% 0,05–1,66; I²=74%), um intervalo impreciso que inclui a ausência de diferença. Noutra análise, várias técnicas alternativas agrupadas e comparadas com dois drenos deram RR 0,33 (IC 95% 0,11–0,99; I²=57%); o resultado não pode ser atribuído apenas às STP. A revisão assinalou amostras pequenas, variação das técnicas e definições dos resultados e poucas análises formais do poder estatístico, recomendando comparações aleatorizadas padronizadas. [4]

A evidência comparativa atual sugere que as STP podem reduzir a ocorrência de seroma em relação aos drenos em alguns contextos de abdominoplastia. Não resolve se uma pessoa deve usar drenos, se a cirurgia sem dreno é adequada ou se o protocolo de um cirurgião é melhor. A evidência é limitada pelo pequeno número de ensaios aleatorizados, dados retrospetivos, variação na técnica STP e na prática de drenagem, diferentes definições e métodos de deteção, e diferenças nas intervenções associadas e nos cuidados posteriores. Coleções detetadas por ecografia não equivalem automaticamente a coleções sintomáticas que exigem tratamento.

Na conversa com o cirurgião responsável, pode perguntar como define e deteta seroma; que abordagem utiliza e porquê; se prevê drenos, STP ou ambos; como os fatores de saúde pessoais e a intervenção concreta influenciam a escolha; que seguimento e acesso a avaliação estarão disponíveis; e o que acontecerá se surgir uma coleção. Nenhuma técnica pode garantir que não ocorra seroma, aspiração, infeção, problemas da ferida ou necessidade de tratamento adicional.

Para planeamento geral de custos, a página sobre preço da abdominoplastia na Turquia apresenta o contexto comercial; não prevê um orçamento individual nem um plano clínico. Para questões sobre a informação de pacotes, consulte os detalhes do pacote de abdominoplastia e confirme diretamente com o prestador relevante que cuidados, seguimento e medidas estão previstos. A listagem não estabelece que técnica cirúrgica esteja incluída ou seja clinicamente adequada. A Just Clinic Istanbul é uma plataforma independente de marketing e geração de contactos; não presta cuidados de saúde nem atua como intermediária de turismo médico. Os pedidos de contacto podem ser partilhados com parceiros de saúde autorizados mediante o seu consentimento.

  1. Rao G, Daneshi K, Ceccaroni A, Gentile A, El-Shazali H, Owens N, Vyas K, Khajuria A. “A Systematic Review and Meta-Analysis Evaluating the Surgical Outcomes of Progressive Tension Suturing Compared to Drains in Abdominoplasty Surgery.” Aesthetic Surgery Journal. 2025; 45(1):71–83. Publicado em linha a 30 de julho de 2024; corrigido e composto em 2 de setembro de 2024. doi: 10.1093/asj/sjae171. PMID: 39078654. PMCID: PMC11634385.
  2. Andrades P, Prado A, Danilla S, Guerra C, Benitez S, Sepulveda S, Sciarraffia C, De Carolis V. “Progressive tension sutures in the prevention of postabdominoplasty seroma: a prospective, randomized, double-blind clinical trial.” Plastic and Reconstructive Surgery. 2007; 120(4):935–946; discussão 947–951. Publicado em 15 de setembro de 2007. doi: 10.1097/01.prs.0000253445.76991.de. PMID: 17805122.
  3. Li M, Wang K. “Efficacy of Progressive Tension Sutures without Drains in Reducing Seroma Rates of Abdominoplasty: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Aesthetic Plastic Surgery. 2021; 45(2):581–588. Publicado em linha a 27 de agosto de 2020. doi: 10.1007/s00266-020-01913-w. PMID: 32856104.
  4. Liao CD, Zhao K, Nikkhahmanesh N, Bui DT. “Decreasing Seroma Incidence Following Abdominoplasty: A Systematic Review and Meta-Analysis of High-Quality Evidence.” Aesthetic Surgery Journal Open Forum. 2024; 6:ojae016. Publicado em 16 de março de 2024. doi: 10.1093/asjof/ojae016. PMID: 38585023. PMCID: PMC10995621.

O que é um seroma após abdominoplastia? +

É uma acumulação de líquido por baixo do retalho de tecido abdominal após a cirurgia. Os estudos podem detetá-la por observação clínica, ecografia ou ambas; os métodos podem produzir taxas diferentes.

As suturas de tensão progressiva previnem melhor o seroma do que os drenos? +

Uma revisão sistemática de 2024 encontrou uma taxa agrupada de seroma inferior com suturas de tensão progressiva do que com drenos, mas a maioria da evidência incluída não provinha de grandes ensaios aleatorizados e os métodos variavam. O resultado não estabelece a melhor abordagem para uma pessoa.

A utilização simultânea de suturas e drenos acrescenta benefício? +

A comparação agrupada disponível não encontrou uma diferença estatisticamente significativa na taxa de seroma entre suturas de tensão progressiva isoladas e suturas combinadas com drenos. A evidência é demasiado limitada para concluir que os drenos sejam desnecessários em todas as pessoas.

O que devo perguntar ao cirurgião sobre a prevenção do seroma? +

Pergunte como o seroma é definido e detetado, por que motivo se propõe um plano específico de suturas ou drenagem para a sua operação, que seguimento está disponível e como será avaliada e tratada uma eventual acumulação de líquido.

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